domingo, 10 de abril de 2016

O PÓ QUE É DA TERRA, À TERRA VOLTOU


Hoje vou lembrar com saudade, dos meus avós.

Dona Cristina minha avó e madrinha, ao longo de 84 anos,  foi uma mulher trabalhadora, determinada e sempre preocupada com a família.  Sempre foi uma católica ativa, frequentava missas, rezava o terço...

Uma Mulher simples e de foco nos trabalhos domésticos. 

Dona Cristina acompanhou de perto o crescimento dos seus 9 filhos e 8 netos.


Morreu dignamente!
Morte digna é uma forma que Deus providencia para aqueles que vivem na retidão, como foi a história de Dona Cristina.


Ela completou seu ciclo de vida sempre forte, nunca fraquejou, nunca reclamou da vida, nunca lamentou. 
Sabemos que as despedidas doem, soam a uma casa vazia. Soam a ausência e solidão. Mas a Morte não é Nada, é somente a passagem para o outro lado do Caminho.

 













Quero dizer minha madrinha que o que você era para nós continuará sendo, pois continuaremos falando com você e lembraremos de você todos os dias. Apenas continuaremos vivendo no mundo das criaturas e você estará vivendo no mundo do Criador.

Seu nome sempre será pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo. Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
O fio não foi cortado, pois você não estará fora dos nossos pensamentos, mas apenas fora de nossas vistas.






Temos a certeza de que a senhora não está longe, apenas está do outro lado do caminho, para onde todos nós um dia também atravessaremos.
Somos gratos à sua vida, que tantas vidas gerou e inspirou, numa silenciosa mensagem de amor e doação; reconhecemos o seu nobre desprendimento, e marcamos para sempre o seu nome em nossos corações com a saudade e seu exemplo de vida.


Madrinha, ao tempo em que a tristeza reveste nossas vidas com seu manto, também nos alegramos porque temos a certeza de que agora você viverá plenamente.



 
Não posso deixar de falar no  meu avô e padrinho Areolino que hoje, assim como a madrinha, descansa junto ao Criador.



A sua vida foi uma missão aqui na terra. De agora em diante, será uma mistura de falta e presença, falta porque não podemos mais lhe ver, e presença porque podemos lhe sentir em nossos corações.

Para nós que cremos em Deus, a morte é cheia de vida, pois morre a noite para nascer o dia, morre a semente para nascer a flor, morre o homem para o mundo e nasce para Deus.


Meu avô viveu, lutou, criou... Foi breve sua despedida, teve uma morte serena como a de um santo, após saber da sua missão cumprida.



Mas viverá para sempre nos seus filhos, netos, parentes e amigos. Nenhum de nós há de seguir confuso nos trilhos da vida por falta dos conselhos que ele nos deu.

 Seu corpo permanece nesta terra, mas a sua alma, com certeza, está no Céu...
A dor da perda, só não é maior do que a lembrança de suas virtudes e exemplos que ele nos deixou.
O Céu é lugar dos justos e bons... Por isso Deus o chamou.
O Pó que é da terra, à terra voltou... Seu espírito de Deus, com Deus está.
A saudade que sentimos agora é porque nós os amamos e o amor transcende o espaço e o tempo, não se limita ao contato físico, torna-se parte de nós, impregnando nosso espírito e nossa alma, confortando-nos em dias difíceis.


Meu avô e padrinho era um homem bom e simples. Vivia para a sua família, com a força da simplicidade, sem rapapés refinados, nem frases de bom português. Gostava de conversar, contar histórias, adorava se vangloriar sobre a “matuteza” dos netos que viviam na cidade.
Se um de nós retrucasse: “mas Padrim eu sou formado!”, ele perguntava: “mas sabe tirar o couro dum bode?”.

Durante sua vida, percebeu que a maior herança que poderia deixar era a retidão moral e o respeito à família. Morreu orgulhoso de ter todos os seus filhos por perto, nenhum se desgarrou. Na casa do Seu Areolino, nunca faltou comida, remédio, nem café no bule.
Mas a Morte é inevitável, pega a gente de surpresa. Muitos sonhos, planos que de repente são interrompidos, mas agora serão concretizados com o auxílio de Deus, pois ele está no colo do Pai intercedendo por todos nós que aqui ficamos na terra.

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.


Aqueles que amamos nunca morrem…
Apenas partem…
… Antes de nós!!!
Descansem em paz.