sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

AS ESCOLAS ESTÃO MORRENDO

Depois de uma pausa nas postagens devido às férias, estou voltando ao batente. Preparei-me todo contente, imaginado que iria encontrar a escola viva, cheia de energia, mas não foi o que aconteceu. Me deparei com uma escola doente, agonizando, com uma espada sobre a cabeça pela ameaça de fechamento. Professores e funcionários tensos, sem saber onde serão lotados.

Diante de tal realidade, comecei a refletir sobre esta situação. Por que várias escolas estão fechando por falta de alunos, enquanto outras pais dormem na fila para conseguir uma vaga? (confira aqui o fenômeno Cocal dos Alves)




É claro que as razões são muitas e não podemos simplificá-las, dada sua complexidade. O que eu posso afirmar, mesmo correndo o risco de fazer o papel de advogado do diabo, é que nós, professores, gestores e alunos também somos responsáveis.


Eu já ilustrei aqui neste blog o quanto admiro a saga Harry Potter, porque em tal ficção todos lutam em defesa da escola, que sofre ameaças de toda natureza, mas no fim a união de todos termina dando a vitória a esta. (confira aqui o post Hogwarts e Paulo Freire) 


Não estou negando a ausência do Estado, configurada na precariedade das escolas e das condições de ensino. Nós professores somos mal remunerados, não há infra-estrutura e nem material pedagógico. É fato! Mas é bom lembrar que os alunos são vítimas duas vezes, do Estado, assim como nós, e do nosso descaso.



Como diretor de escola pública, afirmo que é revoltante ver um professor descompromissado, (alguns afirmam que só estão na profissão até ser aprovado em um concurso melhor) alegar para seus alunos que os males do ensino público são resultado, sempre e sempre, do Estado. Pelo amor de deus, não estou generalizando! Mas já presenciei muito esta situação.


É muito triste ver alunos indo embora porque o professor não apareceu para dar aulas. É triste coordenar uma reunião pedagógica e ouvir de boa parte dos presentes que não vale a pena esforçar-se para melhorar a qualidade do ensino na escola porque o Estado não nos recompensa adequadamente.

É desanimador ver os alunos menos compromissados comemorarem a inoperância e o descaso do núcleo gestor e dos decentes da escola, pois sabem que não precisarão esforçar-se, visto que, no final do ano todos serão aprovados sem o menor esforço.



Enquanto os alunos que querem uma vida melhor, e sabem que atualmente as oportunidades são muitas, ficam tristes, por constatarem que a escola na qual estão matriculados não tem compromisso em dar-lhe as condições de progredir nos estudos. O resultado, estes alunos acabam procurando outra escola.




Precisamos acordar e nos comprometer com as escolas em que trabalhamos pois do contrario essas irão "morrer".



Penso que a luta é mais do que necessária, mas precisamos fazer isso sem deixar a escola afundar na inoperância! Lutar pela melhoria de nossas condições de trabalho, não significa que temos que deixar a nossa escola fechar as portas por falta de alunos. Uma coisa é uma coisa e um pneu é um pneu!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

PAI DEIXA 28 LIÇÕES DE VIDA AOS FILHOS ANTES DE MORRER

Zapeando a internet encontrei essa matéria (confira aqui) e achei que é uma lista MUITO interessante para que todos possam se tornar boas pessoas, afinal, o mundo precisa cada vez mais de PESSOAS BOAS.


“Nessas últimas semanas, depois de saber de meu diagnóstico terminal, procurei encontrar em minha alma e em meu coração maneiras de estar em contato com vocês enquanto vocês crescem.
Estive pensando sobre o que realmente importa na vida, e os valores e as aspirações que fazem das pessoas felizes e bem-sucedidas. Na minha opinião, e vocês provavelmente têm suas próprias idéias agora, a fórmula é bem simples.
As três virtudes mais importantes são: lealdade, integridade e coragem moral. Se aspirarem a elas, seus amigos os respeitarão, seus empregadores o manterão no emprego, e seu pai será muito orgulhoso de vocês.
Estou dando conselhos a vocês. Esses são os princípios sobre o quais tentei construir a minha vida e são exatamente os que eu encorajaria vocês a abraçar, se eu pudesse.
Amo muito vocês. Não se esqueçam disso. 
1.     Seja cortês, pontual, sempre diga “por favor” e “obrigado”, e tenha certeza de usar o garfo e a faca de maneira correta. Os outros decidem como tratá-los de acordo com as suas maneiras.
2.     Seja generoso, atencioso e tenha compaixão quando os outros enfrentarem dificuldades, mesmo que você tenha seus próprios problemas. Os outros vão admirar sua abnegação e vão ajudá-lo.
3.     Mostre coragem moral. Faça o que é certo, mesmo que isso o torne impopular. Sempre achei importante ser capaz de me olhar no espelho toda manhã, ao fazer a barba, e não sentir nenhuma culpa ou remorso. Parto deste mundo com a consciência limpa.
4.     Mostre humildade. Tenha a sua opinião, mas pare para refletir no que o outro lado está dizendo, e volte atrás quando souber estar errado. Nunca se preocupe em perder a personalidade. Isso só acontece quando se é cabeça-dura.
5.     Aprenda com seus erros. Você vai cometer muitos, então os use como uma ferramenta de aprendizado. Se você continuar cometendo o mesmo erro ou se meter em problema, está fazendo algo errado.
6.     Evite rebaixar alguém para outra pessoa; isso só vai fazer você ser visto como mau. Se você tiver um problema com alguém, diga a ela pessoalmente. Suspenda fogo! Se alguém importuná-lo, não reaja imediatamente. Uma vez que você disse alguma coisa, não pode mais retirá-la, e a maioria das pessoas merece uma segunda chance.
7.     Divirta-se. Se isso envolve assumir riscos, assuma-os. Se for pego, coloque suas mãos para cima.
8.     Doe para a caridade e ajude os menos afortunados que você: é fácil e muito recompensador.
9.     Sempre olhe para o lado bom! O copo está meio cheio, nunca meio vazio. Toda adversidade tem um lado bom, se você procurar.
10. Faça seu instinto pensar sempre sempre em dizer ‘sim’. Procure razões para fazer algo, não as razões para dizer ‘não’. Seus amigos vão gostar de você por isso.
11. Seja gentil: você conseguirá mais do que você quer se der ao outro o que ele deseja. Comprometer-se pode ser bom.
12. Sempre aceite convites para festas. Você pode não querer ir, mas eles querem que você vá. Mostre a eles cortesia e respeito.
13. Nunca abandone um amigo. Eu enterraria cadáveres por meus amigos, se eles me pedissem… por isso eu os escolhi tão cuidadosamente.
14. Sempre dê gorjeta por um bom serviço. Isso mostra respeito. Mas nunca recompense um mau serviço. Um serviço ruim é um insulto.
15. Sempre trate aqueles que conhecer como seu igual, estejam eles acima ou abaixo de seu estágio na vida. Para aqueles acima de você, mostre deferência, mas não seja um puxa-saco.
16. Sempre respeite a idade, porque idade é igual a sabedoria.
17. Esteja preparado para colocar os interesses de seu irmão à frente dos seus.
18. Orgulhe-se de quem você é e de onde você veio, mas abra a sua mente para outras culturas e línguas. Quando começar a viajar (como espero que faça), você aprenderá que seu lugar no mundo é, ao mesmo tempo, vital e insignificante. Não cresça mais que os seus calções.
19. Seja ambicioso, mas não apenas ambicioso. Prepare-se para amparar suas ambições em treinamento e trabalho duro.
20. Viva o dia ao máximo: faça algo que o faça sorrir ou gargalhar, e evite a procrastinação.
21. Dê o seu melhor na escola. Alguns professores se esquecem de que os alunos precisam de incentivos. Então, se o seu professor não o incentivar, incentive a si mesmo.
22. Sempre compre aquilo que você pode pagar. Nunca poupe em hotéis, roupas, sapatos, maquiagem ou joias. Mas sempre procurem um bom negócio. Você recebe por aquilo que paga.
23. Nunca desista! Meus dois pequenos soldados não têm pai, mas não corajosos, têm um coração grande, estão em forma e são fortes. Vocês também são amados por uma família e amigos generosos. Vocês fazem o seu próprio destino, meus filhos, então lutem por ele.
24. Nunca sinta pena de si mesmo, ou pelo menos não sinta por muito tempo. Chorar não melhora as coisas.
25. Cuide de seu corpo que ele vai cuidar de você.
26. Aprenda um idioma, ou pelo menos tente. Nunca comece uma conversa com um estrangeiro sem primeiro cumprimentá-la em sua língua materna; mas pergunte se ela fala inglês!
27. E, por fim, tenha carinho por sua mãe, e cuide muito bem dela.
28. Amo vocês com todo meu coração,
Papai”

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

300 É MAIS IMORTAL

Depois da minha depressão de natal e réveillon resolvi ir ao cinema ver IMORTAIS.

Escolhi tal filme porque gosto do gênero épico grego e também por pura falta de opção.

E por falar em épicos gregos, confesso que não gostei de Tróia (2004), mas três anos depois, veio 300, com suas legiões engalfinhadas em combate e criaturas fantásticas, o que me fez ter esperanças no gênero.



Não posso dizer que Imortais é um filme ruim, mas também não chega a ser um 300.




Na verdade é um filme para se assistir sem compromisso e sem apego à mitologia como descrita nos livros de História.



As cenas de batalhas são muito bem feitas e de uma brutalidade que irá agradar a todos os fãs de filmes de batalhas medievais com direito a muito sangue jorrando.




Gostei da violência estilizada, da brutalidade do impacto, do feito heróico, do movimento, da coreografia da construção de cenários, dos figurinos, do balé.... Meu amigo, tudo isso em 3D, pense!



O filme, na verdade não conta, mas distorce a história de Teseu, protagonizado por (Henry Cavill o próximo Super-Homem), um bastardo que precisa tornar-se um líder, auxiliado por uma sacerdotisa do oráculo (Freida Pinto, do recente Planeta do Macacos: A Origem), para repelir um exército invasor. 

As forças do Rei Hipérion, em busca do mítico Arco de Épiro, pretendem vingar-se dos deuses, libertando a raça dos Titãs e deflagrando a guerra entre os imortais do título.


Mickey Rourke (Rei Hipérion ) é o destaque do filme no papel que lhe cai melhor, o de vilão. Em fim, para quem não tem nada melhor pra fazer.....

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

COMPLEXO DE VIRA-LATA

Essa semana recebi este artigo do Professor Merlong Solano (confira aqui) sobre a reportagem da Revista Veja. Após encaminhá-lo para vários amigos, o retorno foi considerável, alguns concordando com a matéria outros discordando, por isso resolvi postar o artigo na integra:


COMPLEXO DE VIRA-LATA

“Por "complexo de vira-latas" entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca,voluntariamente, em face do resto do mundo.” Nelson Rodrigues.

A revista Veja publicou o que denomina o primeiro Ranking dos Estados Brasileiros. Trata-se de estudo do grupo inglês Economist, que Veja publicou sem se dar ao trabalho de verificar a metodologia empregada, nem a consistência das conclusões e muito menos de questionar a oportunidade de alguns dos critérios de análise adotados. É, como dizia o magistral Nelson Rodrigues, manifestação pura do complexo de vira-lata: se o “estudo” veio da Europa estão está certo; não há mesmo o que  questionar.

Ocorre que o Brasil de hoje vai muito longe do Brasil dos anos 50, quando Nelson cunhou a expressão. Aliás, esta semana mesmo o mundo reconhece o fato de que a economia brasileira superou a do Reino Unido e agora ocupa o sexto lugar no ranking  mundial, em temos de PIB. O Piauí também já não é o mesmo dos anos 50 nem de poucos anos atrás. Já há por aqui massa cinzenta suficiente para avaliar o que é pesquisa, diferenciado daquilo que é pura matéria jornalística encomenda para tentar empanar o Brilho do Brasil, que de uns anos para cá teima em não se dobrar às “verdades” vindas dos EUA e da Europa.

A tal “pesquisa”, encomendada por um desconhecido Centro de Liderança Pública, não resiste à análise de um bolsista de iniciação científica, de olhar um pouco mais arguto. A metodologia tem a consistência de uma maionese: “relatórios jurídicos, publicações acadêmicas e governamentais, sites de autoridades, entrevistas a especialistas e consulta aos principais meios de comunicação.”(Veja, 28/12/2011; pag 202). Com base nesta “metodologia” o estudo chegou a algumas conclusões que contrariam a lógica e o conhecimento de que sabe onde fica o Nordeste do Brasil e o que está acontecendo nesta região nos últimos tempos.

No quesito infra-estrutura, numa escala de 0 a 100, o Brasil ficou com média 22,7  enquanto ao Ceará foi atribuída nota zero. O fato deste Estado ter um aeroporto internacional muito bom e um porto que opera navios de grande calado não deve ter sido considerado. Há ainda os casos do Piauí, Bahia e Pernambuco que receberam a mesma nota: 12,5. Mais uma vez o fato de BA e PE terem aeroportos internacionais excelentes, rodovias duplicadas e portos de grande calado parece não ter alterado nada em relação ao Piauí que dispõe destes itens.

Quanto ao regime tributário e regulatório o Brasil recebeu nota 24,1; enquanto Alagoas aparece com o melhor desempenho manifesto na nota 50, ficando São Paulo com apenas 25. Já o Piauí aparece com nota zero junto  com outros Estados. Onde está a consistência disto? Todos sabemos que o sistema tributário brasileiro é complexo, que complica e encarece  a vida das empresas; mas sabemos também que a despeito de variações de Estado para Estado o problema é nacional, pois a legislação que o regula é basicamente federal. Mesmo em relação ao ICMS, onde os Estados têm um pouco mais de autonomia, as alterações dependem de complexas negociações no âmbito do CONFAZ.
  
O quesito ambiente econômico, segundo a Veja, levou em conta os indicadores: tamanho e crescimento do mercado, renda média e desigualdade de renda. Aí o Piauí aparece em penúltimo lugar à frente apenas de Roraima.  Como isto é possível, se o PIB do Piauí é bem maior do que o PIB de Roraima, do Acre, Amapá e Tocantins? Além disto a economia do Piauí vem crescendo acima da média nacional nos últimos anos. Dos indicadores citados, o Piauí perde para os Estados referidos apenas na renda per capita. O indicador desigualdade social, como sabemos, é um problema nacional.

Querer montar um ranking dos Estados brasileiros em relação a políticas de atração de investimentos estrangeiros, sem levar em conta as disparidades regionais acumuladas historicamente, é o mesmo que tentar submeter os Estados Unidos e esfomeadas nações africanas à mesma escala de desenvolvimento aeroespacial. Os Estados do sudeste e do sul são confrontados com demandas de investidores estrangeiros, em larga escala, desde o século XIX. Enquanto se faziam centro dinâmico da economia brasileira foram incorporando os demais Estados como mercados periféricos, contando para isto com o apoio das políticas tributárias, industriais, cambiais e de crédito do governo central.

Concluir que os Estados do Sudeste, do Sul e o Distrito Federal apresentam o melhor ambiente negócios no Brasil equivale a dizer que sem a luz e o calor do sol a vida seria extinta na terra; isto está até em música de micarina. De um lugar comum a outro o referido “estudo” deixa de lado constatações de organismos brasileiros de pesquisa. Os dados do IBGE, por exemplo, demonstram que a despeito de forte persistência de concentração econômica no sudeste, desde 2002 o Centro Oeste, o Nordeste e o Norte vêm crescendo mais do que o sudeste e o sul. Mostram também que o Piauí vem se destacando neste processo de desconcentração econômica.

Diz o “estudo” que o Piauí apresenta o pior ambiente econômico do Brasil. Então como explicar o fato de que a economia do Estado vem crescendo acima da média nacional desde 2003?  Os dados do IBGE são claros e têm credibilidade internacional.

Produto Interno Bruto – Taxa de crescimento anual (%)
Ano
Piauí
Brasil
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
1,7
5,4
6,3
4,5
6,1
2,0
8,8
6,2
2,7
1,1
5,7
3,2
4,0
6,1
5,2
-0,3

Como resultado desta dinâmica econômica acentuada, o Piauí vem ampliando sua participação no PIB nacional, embora de modo ainda lento, saindo de 0,5% em 2002 para 0,6% do PIB nacional em 2009.  Isto é especialmente positivo por ocorrer num período em que a economia brasileira está crescendo e não estagnada. É salutar também  verificar que a renda per capita do Piauí, que era equivalente a 30,4% da renda per capita do Brasil em 2002, reduziu a distância em relação à do Brasil e em 2009 chegou a 35,7% da renda per capita nacional.

Retornando a Nelson Rodrigues, o complexo de vira-lata tem raízes históricas; foi estimulado por segmentos de elite que viam no Brasil não uma nação, uma pátria, mas apenas um negócio, um meio de enriquecer para poder gozar os prazeres da civilização na Europa. Sem meios para resistir, a população foi aceitando e aí se consolidou a idéia de que o bom é o que vem de fora. Mas hoje o quadro está bem diferente: o Brasil é um País que cresce, que tem coragem de enfrentar seus problemas usando políticas próprias, sem recorrer por exemplo às fórmulas do FMI. Então, vamos aproveitar o clima de final de ano e brindar o fim do complexo de vira lata jogando a “pesquisa” de Veja na lata do lixo.

Merlong Solano Nogueira
Professor da UFPI, Deputado Estadual - PT




sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

ENTÃO É NATAL E O QUE VOCÊ FEZ?

Mais um ano termina e bate uma tristeza! 
Sinto-me frustrado com aquela sensação de fracasso por não ter atingido as metas que planejei no inicio do ano.






Um ano de muita luta e termino cansado!








Nas festas de fim de ano me sinto em uma Matrix.









Desculpem a amargura!









Temo que o próximo ano seja ainda pior.





Paradoxalmente, desejo a todos um feliz natal.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O QUE É ISSO CONSCIÊNCIA!!!!!!

Hoje celebramos o Dia da Consciência Negra. Um dia dedicado à reflexão sobre a presença do negro na sociedade brasileira.

Diante das polêmicas inerentes a questão, o que podemos afirmar é que o preconceito contra aqueles que são de cor negra existe sim! É fato. 

A questão é saber se as cotas, leis, decretos etc, são a melhor forma de combater tal prática.
Hoje, a lei brasileira obriga as escolas a ensinarem temas relativos à história dos povos africanos em seu currículo. Além disso, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) estabelecem que a diversidade cultural do país deve ser trabalhada no âmbito escolar:

"A sociedade em que vivemos valoriza outro estereótipo, o que resulta na invisibilização do negro. Isso tem um efeito bastante perverso: as crianças negras nunca se vêm e o que elas olham é sempre diferente delas",

Precisamos discutir tal questão com nossos alunos, não podemos fingir que não existe preconceito em nosso país.
Tenho um post que ilustra muito bem essa questão (A FORÇA ESTÁ SEMPRE COM VOCÊ)
Por falar em invisibilização do negro, lembrei de um livro que li tempos atrás (História da Educação do Negro e outras histórias), Neste livro, Benilda R. B. Brito conta a seguinte história, acontecida numa escola da rede pública de Belo Horizonte, em 1997:

Professora planejando as atividades da Semana Santa pergunta aos alunos:

Vamos fazer um teatro sobre a paixão de Jesus Cristo. Para tal, precisaremos de um aluno que se disponha a fazer o papel de Jesus. Quem topa? A.A.B., criança negra, extrovertida, responde: Eu topo. Silêncio absoluto. Ninguém diz nada, nem as outras crianças brancas, nem a professora. Após cinco segundos é o A. quem quebra o silêncio: Pode deixar, não quero ser mais não!! A professora contou o episódio para a vice-diretora pedindo que não comentasse o ocorrido com os pais do aluno, pois a mesma afirmara ter ficado desarmada, sem saber o que falar.

È inegável que tais práticas pedagógicas continuarão punindo as crianças negras que o sistema de ensino não conseguiu ainda excluir, essa reclusão ritualizada em procedimentos escolares de efeito impeditivo, cujo resultado é o silenciamento da criança negra em curto prazo, e do cidadão para o resto da vida.

No livro Superando o Racismo na Escola, Kabengele Munanga afirma que na literatura e nos livros didáticos geralmente os personagens negros aparecem vinculados à escravidão. As abordagens naturalizam o sofrimento e reforçam a associação com a dor. Cristalizar a imagem do estado de escravo torna-se uma das formas mais eficazes de violência simbólica. Reproduzi-la intensamente marca, numa única referência, toda a população negra, naturalizando-se, assim, uma inferiorização datada. Tal modelo repetido marca a população como perdedora e atrapalha uma ampliação dos papéis sociais pela proximidade com essa caracterização, que embrulha noções de atraso.

Vou apresentar aqui alguns exemplos analisados por Kabengele Munanga:
 PAI JOÃO MENINO. Texto de Wilson W. Rodrigues. As ilustrações não estão assinadas nesse exemplar de terceira edição. Arca Editora, RJ, 1949. A imagem filha do ícone pai João, a representação da triste e passiva escravidão.
EM BUSCA DA LIBERDADE. Texto de Sonia de Almeida Demarquet, Ed.Vigília, BH, 1988. As ilustrações são de Paula Regis Junqueira. O menino negro, frágil de frente, contrasta coma imagem branca da figura de fundo, vestida com botas, associada à idéia de poder que a arma reforça.
Trabalha a versão de um conto popular dos chamados contos de riso.Todo educador sabe que um dos principais ataques à criança negra é o apelido de macaca, o que já detonou inúmeros processos de brigas que, repetidas, terminam em expulsão do ambiente escolar e marginalizações dos ambientes institucionais, de uma forma geral. No que um livro como este contribui para um comportamento anti-racismo? Faltou sensibilidade na publicação, onde pode-se facilmente associar a figura negra boba ao lado das bananas de... E isso é uma boa brincadeira!
XIXI NA CAMA – Texto de Drumond Amorim e ilustrações de Helder Augusto Waldolato, Belo Horizonte,Ed. Comunicação, 1979. A humilhação, no martírio do menino negro, é um dos casos mais violentos como construção simbólica apresentada para as crianças.

Estas são apenas algumas das várias obras analisadas pelo autor que abordam a questão da escravidão de uma forma equivocada. Geralmente, a queixa de crianças negras se sentirem constrangidas frente ao espelho de uma degradação histórica nos alerta que o mesmo mecanismo ensina para a não negra uma superioridade.

Lembro de um curta muito interessante, O Xadrez das Cores. Ao ver o filme é impossível manter-se distante da tensão das personagens. As personagens do filme apresentam-se como forças contrárias: rico e pobre, o branco, o negro, a patroa, a empregada. Apesar da relação contrária existente, ambas possuem em comum a força, a determinação. Estela (a patroa branca) insiste em oprimir, Cida (a empregada negra) que aceita por causa da necessidade da situação, mas utiliza-se do tabuleiro do xadrez para conhecer sua oponente. Não se satisfaz com suas derrotas. Apesar de ver suas peças negras sendo jogadas no lixo prazerosamente por sua patroa, estuda a adversária, busca um conhecimento que não tem.



Uma das mais belas lições do filme é a negação do conformismo, da busca pelo conhecimento para a transformação dos fatos. É esse desejo que a escola tem que despertar. 

Não poderíamos deixar de relembrar também o filme (UMA CRUZADA CONTRA O PRECONCEITO)

Anos atrás participei de um curso de Formação em História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na Escola (confira aqui) onde um dos autores da capacitação afirmava que apesar da força dos nossos poetas cantores, dos nossos artistas, da presença negra no futebol, na literatura e de temos também o maior geógrafo do mundo, a invisibilidade da população negra continua, hoje menos, mas continua. 

Não a invisibilidade no sentido real da palavra, mas aquela pusilânime e cínica que só os faz visíveis em datas e situações oportunas. Algumas aras negras começam a aparecer em peças publicitárias e outdoors dos grandes centros urbanos como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Belo Horizonte. 

Alguns jornais noticiam que já existe uma classe média negra com renda até R$ 3.000,00. As cotas, já são uma realidade em diversas universidades públicas e o embranquecimento, tão caro a negros e brancos, parece não passar de falácia, já que, segundo o IBGE, no Brasil 88% dos casamentos se dão entre pessoas da mesma raça, ou seja, branco casa com branca, negro casa com negra e pardo casa com parda. Apenas 12% da população brasileira pratica as uniões interétnicas. (RIBEIRO, 2008. P. 93)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

PIAUÍ: AQUI NASCI, ME CRIEI, CAÍ, LEVANTEI E SANGREI

Foto: Juscelino Reis - http://photosetrilhas.blogspot.com/ 
Hoje comemoramos o dia do Piauí (poderia ser 24 de janeiro ou 13 de março). (sobre o 13 de março já falei aqui) 

Considero salutar retirarmos um tempinho para refletirmos um pouco sobre este Estado pacato, complexado, pobre(?) e belo, haja vistas que estamos em meio a discussão sobre sua divisão.(já me posicionei sobre o assunto aqui) 

Foto:  http://photosetrilhas.blogspot.com/ 
Quando falei em complexado é porque somos bairristas, fale mal de nós pra você vê! (Marauê Carneiro,
Paulo Zotollo, Mr. Manson que o diga).

Pra não perder o costume vamos a um tiquim de História:

Os portugueses chegaram ao Brasil no último ano do século XV, (1500), no século XVI eles chegaram ao litoral do Nordeste e no século XVII eles se espalharam pelo sertão nordestino criando gado.

http://photosetrilhas.blogspot.com/ 
Como as fazendas eram muito grandes, as casas ficavam distantes uma das outras, dificultando o contato entre os moradores. As pessoas se reuniam principalmente durante os acontecimentos religiosos, como missas, novenas, casamentos e batizados. Dessa forma, as capelas se tornaram local de encontro, reunindo os habitantes para as festividades, o divertimento e o comércio.

http://photosetrilhas.blogspot.com/ 
A primeira capela do Piauí foi a de Nossa Senhora da Vitória, (1696) construída nas terras da fazenda Cabrobó, de Domingos Afonso Mafrense. Em torno dela a população cresceu, dando origem à Vila da Mocha.



http://photosetrilhas.blogspot.com/ 
Pouco depois da criação da Vila da Mocha, no início do século XVIII, o Piauí se tornou capitania (1718). Mas o primeiro governador, o português João Pereira Caldas, só chegou 40 anos depois, ou seja, a instalação da Capitania de São José do Piauí só se deu em 20 de setembro de 1759. 


http://photosetrilhas.blogspot.com/ 
Com a chegada do primeiro governador, a Vila da mocha passou a cidade, com o nome de Oeiras, tornando-se a primeira capital do Piauí. Muitas outras capelas deram origem a vilas que depois também se transformaram em cidades.



http://photosetrilhas.blogspot.com/ 
A história nos mostra que no Piauí, desde a colonização até hoje, a maioria das cidades nasceu de fazendas de gado que se desenvolveram e aumentaram sua população a partir da construção de capelas e igrejas.


http://photosetrilhas.blogspot.com/ 
No século XVII as terras piauienses eram administradas pela Capitania de Pernambuco. Com o crescimento da população, consequência da chegada de mais pessoas, aconteceram vários conflitos. 




Como o Piauí estava próximo a Capitania do  Maranhão e esta queria ampliar seu domínio, o Maranhão conseguiu com o Rei de Portugal autorização para administrar as terras piauienses no século XVIII.

Foto: Stanley Moore & Juscelino Reis - http://photosetrilhas.blogspot.com/ 

Chega! Só queria desejar PARABÉNS PIAUÍ !!!!


Que tenha muita saúde!