domingo, 20 de março de 2016

O TROMPETE AZUL VENCEU

Recentemente li (site Precisava Escrever) uma resenha muito boa sobre a série HOW I MET YOUR MOTHER.


Esta série gira em torno da vida de Ted e dos seus amigos, que é narrada pelo próprio aos seus filhos, 25 anos mais tarde, onde ele conta as histórias e peripécias que o levaram a conhecer a mãe deles.

Em 2005, aos 27 anos, o jovem Ted Mosby, após o seu melhor amigo Marshall  ficar noivo, decide finalmente ir em busca da sua cara-metade. 


Com gestos românticos questionáveis, Ted conhece Robin no bar que costumavam frequentar, Maclaren's Pub. 



Após uma série de eventos Robin passa a pertencer ao grupo de amigos de Ted: Barney, Marshall e sua noiva, Lily que namoram desde o primeiro ano da faculdade.

O que mais me chamou a atenção na leitura foi o destaque para o diferencial que fez com que a série (HIMYM ) se desprenda do perfeccionismo de ficção e se torne um aprendizado de vida, algo real.

Durante a referida leitura eu lembrei do filme QUESTÃO DE TEMPO:"Será que ao observarmos o dia a dia, já não teríamos motivos suficientes para prosseguirmos?". Questão de Tempo ensina preciosas lições de moral: viva cada momento como se fosse o último, aprecie as menores coisas da vida e não será necessário refazer nada.


Nessa mesma linha tem um clássico do cinema FEITIÇO DO TEMPO, em que o protagonista Phil, personagem de Bill Murray se sente preso ao próprio destino,cumpre sua rotina sem prazer até que fica preso nas engrenagens dos seus dias e tem que voltar ao que não fez bem feito até que aprenda. 


O próprio Phil  só consegue se libertar do ciclo de repetições quando ele descobre que naquela cidade que ele tanto odiava ter de ir todos os anos, havia muitas coisas que ele nunca prestara atenção,e só começou a percebê-las quando ficou preso no tempo.


Através das repetições observamos o quanto somos prisioneiros de cada dia que deixamos de viver, e que a única forma de nos libertarmos é fazendo de cada dia o melhor de nossas vidas.
Isto parece ser fácil na teoria, mas na prática todos nós sabemos quanto esforço temos que fazer quando a vida, a rotina se torna pesada.


Há um aprendizado importante quando o "destino" parece não nos deixar muitas opções em relação ao que fazer, e que, portanto só podemos escolher "como" fazer. 


Estamos a todo o momento fazendo escolhas, entendendo que nossa responsabilidade não está apenas nas nossas limitações, mas também num âmbito mais coletivo, onde minhas atitudes podem alterar, piorar, ou melhorar a vida do outro. 
E é neste aspecto que Phil muda e se transforma surpreendentemente.




FEITIÇO DO TEMPO é um clássico, pura poesia:



Esta Declaração de amor que o Phil faz para a Rita prova isso:

- "A primeira vez que eu a vi, algo me aconteceu.
Eu sabia que queria abraçá-la o mais apertado que podia,
eu não mereço alguém como você, mas se eu pudesse,
eu juro que eu a amaria pelo resto da minha vida.
Não importa o que aconteça, amanhã ou até o restante de minha vida, eu sou feliz agora porque eu te amo.”

Bem,voltemos a série HOW I MET YOUR MOTHER 

Sobre a temporada, acho que as pessoas não entenderam muito bem o que foi feito. O final de semana do casamento foi a forma encontrada de reunir todos personagens e de relembrar e homenagear tudo que foi vivido. Concordo que se tornou monótono em alguns momentos, mas com certeza teve episódios realmente muito bons e resgatou quase tudo que se passou nos anos anteriores.

Sobre o episódio final, percebo que as críticas vem de pessoas que, na minha opinião, criam expectativas falsas do que seria o próprio seriado. Fiquei impressionado com a forma realista que os roteiristas trataram a trama desde o início, especialmente nesse último capítulo.

Sabe, acho que a vida é mesmo assim. É bem provável que você não vá casar com o amor da sua vida, talvez vá ter que viver longe de quem você ama, talvez terá que escolher entre o seu sucesso profissional ou o da sua esposa, talvez será um solteirão até os 40 anos, talvez tenha uma filha com uma mulher que você mal sabe o nome, talvez tenha problemas de relacionamento com o seu pai, talvez sonhe em ser um arquiteto renomado e se descubra um professor ou, talvez, vá esperar anos para conhecer um grande amor e perdê-lo um tempo depois com uma doença terminal.

É assim que a vida é, e “How I Met Your Mother” soube, como poucos, retratar tudo isso com uma mistura de comédia e drama que vi raras vezes ser conduzida com tanta habilidade. O desfecho final foi simplesmente impressionante. Marsh e Lily constituíram uma família perfeita, cheia de amor e bem estruturada financeiramente, exatamente como mereciam.

Barney voltou a ser “Barney”, e pediu pelo amor de Deus para que nós, seus fãs, o deixássemos ser assim. Aquele personagem das últimas temporadas não era ele. A maioria de nós nasce para ter um grande amor, uma família, uma vida controlada. Com ele não. Ele tentou mudar, mas não aconteceu. Trata-se do anti-herói, o ponto fora da curva. E foi justamente por isso, e pelo talento e carisma extraordinário do ator, que esse personagem foi quem por inúmeras vezes segurou o seriado nas costas.

Todas as vezes que a trama sentimental deixava a desejar, lá estava o lendário, como seu terno impecável, a postura moral questionável e o copo em um das mãos, nos fazendo chorar de rir. E é assim que vou me lembrar dele. Barney realmente se apaixonou por Robin e, alguns, quiseram acreditar que esse sentimento seria forte o suficiente para mudar sua essência. Não foi.

Talvez a filha seja. Definitivamente trata-se de um tipo de amor que tem esse poder.  Infelizmente não teremos a chance de comprovar. Robin realizou o seu sonho, o que se propôs a fazer desde que chegou a Nova Iorque. Tornou-se uma apresentadora famosa e conheceu o mundo. Nunca soube muito bem lidar com os próprios sentimentos e com sua impulsividade e, por isso, teve que colher os frutos da vida que escolheu.


Ela alcançou o sucesso profissional, mas foi obrigada a conviver com a solidão e o remorso. Para finalizar, falar de Ted Mosby, para mim, é muito fácil. Minha identificação com ele é imensa desde que vi o primeiro episódio da série. Por todos esses anos imaginei dezenas de finais, mas nunca consegui pensar em algo tão “Ted”.

A descrição de Lily foi perfeita: “o coração mais resistente que já conheci.” O cara que tem os pais separados, que é deixado no altar, que, muitas vezes, se sente frustrado profissionalmente, que perde o amor da sua vida para um dos seus melhores amigos, que encontra um grande amor e vê essa mulher adoecer nos seus braços.


Um cara que passa por tudo isso e, ainda assim, consegue acreditar na vida e na felicidade. Um cara de índole e conduta intocáveis. O amigo que todos gostariam de ter. Um cara que, um dia, reuniu os filhos na sala de casa e contou a história da sua vida, não só para que eles soubessem a forma com que os seus pais se apaixonaram, mas também para pedi-los permissão para que pudesse, finalmente, correr atrás da mulher que sempre amou.

Como condenar isso? Simplesmente fenomenal. Saída genial para quebrar aquela célebre frase dita no final do primeiro episódio: “Essa é a história de como conheci sua tia Robin”.

Entenda-se, essa é a história do dia que conheci a mulher que eu sempre amei. E isso não quer dizer que Ted não tenha amado a mãe das crianças. Claro que amou. Que atire a primeira pedra quem só teve um amor na vida. E outra, como não se apaixonar por uma mulher daquela? Ela era tudo que o Ted sempre quis e mereceu. Feliz combinação de atriz e personagem.
Mas a vida é cheia de surpresas e, quis o destino, variável inclusive sempre muito atuante no seriado, que ela partisse cedo demais. Eu seria o primeiro a condenar a história caso Ted tivesse fugido com a Robin na véspera do casamento com Barney ou divorciado da Sra. Mosby para ficar com ela, mas isso não seria o Ted e, sendo assim, jamais aconteceria.

Aplaudo a forma sutil e habilidosa que o seriado retratou a morte da mãe. Realmente vibrei muito com a cena final do seriado. Tributo, ao meu ver, mais que merecido ao primeiro capítulo, o melhor de toda a série. Tudo se torna ainda mais genial pelo fato da cena dos filhos ter sido gravada há muitos anos atrás. Ou seja, não foi algo que os autores arrependeram e voltaram atrás na última hora.

Era algo que eles sempre planejaram e, mesmo assim, fizeram tudo que fizeram. Incrível! Para mim sempre foi Ted e Robin. A mulher que ele viu do outro lado do bar e soube naquele exato momento que seria a mulher da sua vida. E foi. Confesso que já tinha me dado por vencido e desacreditado nessa reviravolta. Sinceramente, quem não vibrou com aquele fim, precisa rever o seriado inteiro.

O trompete azul venceu. O final feliz que já tinha desistido de ver e que o destino trouxe de presente mais uma vez. Arrepiante. Inesquecível.

Por fim, fica a mensagem do seriado clara: As vezes procuramos a felicidade como um fim que nunca iremos alcançar, e não percebemos que esbarramos com ela milhares de vezes pelo caminho. Talvez o melhor dia da sua vida seja o dia do seu casamento, o dia do nascimento da sua filha ou o dia que conhecer seu grande amor. Pode ser....

....Mas talvez seja apenas uma noite como tantas outras, sentado em um bar, rindo com seus melhores amigos.

Acho que é disso que sentiremos saudade quando sentarmos para contar histórias para nossos filhos.



domingo, 23 de agosto de 2015

É A VIDA QUE SEGUE: vivamos cada momento como se fosse o último.

Filmes não costumam mostrar exatamente a realidade, neles vemos histórias com início, meio e fim, porque é justamente isso que buscamos. O cinema tem o poder de criar histórias que se fecham de forma satisfatória, para nos deixar com aquela sensação de dever cumprido e, com alguma sorte, uma lição de moral também. No entanto, não é por esse caminho que segue Richard Curtis no filme Questão de Tempo.

Questão de Tempo tem aquela mensagem de 'carpe diem', que pode parecer um pouco clichê, mas que se encaixa perfeitamente aqui. É um tipo de filme que você se sente bem, feliz, quando acaba de assistir. E também te faz pensar na sua própria vida.

É um filme encantador. E um bônus por ter o casamento mais sensacional que eu já vi. A trilha sonora também é um ponto alto desse filme.

Como não curtir How Long Will I Love You de Jon Boden?


Ou The Cure - Friday I'm In love


Eu gostei muito desse filme, pois nos convida à reflexão sobre a forma de encararmos a vida. Será que realmente há necessidade de voltarmos no tempo para repararmos erros? Será que numa forma mais simples, agradecida e de boa vontade seria realmente necessários os arrependimentos e desejos de retornarmos no tempo? Será que ao observarmos o dia a dia, já não teríamos motivos suficientes para prosseguirmos? Penso que ao levantarmos e nos determinarmos "o dia feliz apesar de...." cuidando para que nossas atitudes sejam assertivas de primeira? Algo tipo: Que tal levarmos a vida mais leve? ou então "Minha vida não TEM nada de extraordinário, entretanto, sou extremamente feliz com a minha vida extraordinariamente simples. Para mim, a beleza desse filme está exatamente aí...

"Todos nós viajamos juntos pelo tempo
todos os dias das nossas vidas
Só podemos fazer o nosso melhor
para aproveitar este passeio surpreendente."

Viagem no tempo é um assunto complicado em qualquer contexto, seja ficção científica ou romance. Existem regras que não devem ser quebradas, paradigmas a serem evitados e infinitas possibilidades de destinos a serem considerados. No entanto, quando o que está em jogo é a vida de uma pessoa, sua felicidade, e não o destino do universo, a perspectiva muda muito.

Em Questão de Tempo conhecemos Tim (Domhnall Gleeson ... Famoso por interpretar Bill Weasley no filme de Harry Potter), um jovem que só quer encontrar o amor descobre que descende de uma família de viajantes no tempo. Seu pai (Bill Nighy) lhe ensina: entre num armário ("um lugar bem escuro também funciona") e pense no exato momento do tempo para o qual você quer voltar e estará lá.

É estabelecida, então, uma nova regra: não é possível ir para o futuro onde nunca antes se esteve. Chega a hora de testar o novo presente - e tudo dá muito certo. No entanto, como qualquer pessoa inexperiente, entre trancos e barrancos Tim descobre as maravilhas de se refazer um momento, por mais breve que seja; mas também que a dependência de se refazer o passado pode ser problemática.

Inicialmente, o longa parece mais uma bobinha comédia romântica. São apresentados valores familiares, uma intensa amizade entre pai e filho, o amor de cônjuge, o de irmãos e aquele entre amigos. É aí que dá-se início ao caminho de Tim entre as escolhas, ganhos e perdas da alteração do passado, escolhas difíceis entre amores diferentes, mas não menos intensos.

Já casado com Mary (Rachel McAdams) e pai de Posy, uma linda menininha; Kit Kat (Lydia Wilson), irmã de Tim, sofre um acidente de carro. Instintivamente, volta-se no tempo para evitar o desastre. Ao retornar para o presente, Tim se depara não com Posy, mas com uma criança completamente diferente. "A cada vez que você modificar alguma coisa no passado, terá um filho diferente", diz seu pai. A nova regra gera um grande conflito em Tim: salvo minha irmã e me acostumo com um filho diferente ou tenho Posy de volta e Kit Kat sofre o acidente?

Essa não é a última encruzilhada de Tim, que sofre e faz sofrer a cada decisão tomada. A pior de todas, porém, é ter de deixar seu pai e melhor amigo para trás. O roteiro de Richard Curtis emociona ao usar o tom sentimental sem ser meloso, tocando fundo em questões se não iguais, muito parecidas as do espectador. Mesmo com algumas escorregadas no ir e vir temporal, Questão de Tempo ensina uma preciosas lições de moral: viva cada momento como se fosse o último, aprecie as menores coisas da vida e não será necessário refazer nada.

FONTES:http://www.adorocinema.com/filmes/filme-201760/criticas-adorocinema/       
http://omelete.uol.com.br/filmes/criticas/questao-de-tempo/?key=83688)

sábado, 11 de julho de 2015

13 COISAS PARA PENSAR QUANDO A VIDA ESTIVER DIFÍCIL

Sidarta Gautama, o Buda nos deixou um legado de grande sabedoria. Entre tantas pérolas, separo 13 conselhos deixados para aqueles que vivem momentos difíceis. Existe, segundo Buda, uma forma de viver esses momentos de uma maneira mais tranquila e o segredo tem a ver com atitude:

1) AS COISAS SÃO O QUE SÃO

A nossa resistência às coisas é a principal causa do nosso sofrimento. Este acontece quando resistimos às coisas como elas são. Se não se pode fazer nada, relaxe. Não lute contra a correnteza, aceite ou então se consuma em seu sofrimento.

2) SE VOCÊ ACHA QUE TEM UM PROBLEMA, VOCÊ TEM UM PROBLEMA

Repare que tudo é olhado através de uma perspectiva. Em um determinado momento as coisas parecem difíceis, no outro não. Sabendo disso, caso tenha uma dificuldade escolha entendê-la como um desafio, uma oportunidade de aprendizado. Se enxergá-la como um problema, essa dificuldade será certamente um problema.


3) A MUDANÇA COMEÇA EM VOCÊ MESMO

Seu mundo exterior é um reflexo do seu mundo interior. Temos o hábito de achar que tudo ficará bem quando as circunstância mudarem. A grande verdade, no entanto, é que as circunstâncias só mudarão quando essa mudança ocorrer em nosso interior.

4) NÃO EXISTE APRENDIZADO MAIOR DO QUE FALHAR

O fracasso não existe!!! Entenda isso de uma vez por todas. Todas as pessoas de sucesso já falharam diversas vezes. Aproveite suas falhas como um grande aprendizado. Se fizer isso, na próxima vez estará mais perto do sucesso. A falha é sempre uma lição de aprendizado.

5) SE ALGO NÃO ACONTECE COMO O PLANEJADO, SIGNIFICA QUE O MELHOR ACONTECEU

Tudo acontece de forma perfeita, até quando dá errado. Muitas vezes, quando olhamos para trás, percebemos que aquilo que consideramos errado, na verdade foi o melhor que podia ter acontecido. No entanto, quando dá certo, certamente estamos alinhados com nosso propósito de vida. O universo sempre trabalha a nosso favor.

6) APRECIE O PRESENTE

Nós só temos o momento presente! Portanto não o deixe passar perdendo tempo com o passado. Valorize seu momento presente pois ele é único e importante. É a partir dele que cria sua vida futura.

7) DEIXE O DESEJO DE LADO

A maioria das pessoas vive a vida guiadas pelos desejos. Isso é extremamente perigoso, um desejo não satisfeito transforma-se em uma grande frustração. Frustação desencadeia uma energia negativa muito forte e retrai seu crescimento. Procure entender que tudo o que precisa vai chegar até você se cultivar sua felicidade incondicional. Pratique uma mente isolada, só assim suas emoções permanecerão felizes ou neutras.

8) COMPREENDA SEUS MEDOS E SEJA GRATO POR ELES

O medo é o contrário do amor, é quem mais atrapalha sua evolução caso não saiba entendê-lo. No entanto ele é importante na medida em que fornece uma grande oportunidade de aprendizado. Quando enfrenta e vence o medo, se torna mais forte e confiante. Superar seus medos requer prática, o medo é apenas uma ilusão e, acima de tudo, é opcional.

9) EXPERIMENTE ALEGRIA

Existem pessoas que se divertem com tudo o que lhes acontece. Mesmo na pior situação, riem de si mesmas. São pessoas felizes que enxergam crescimento em tudo. Essas pessoas aprenderam que é importante focar na alegria e não nas dificuldades. O resultado é que atraem muito mais situações felizes do que tristes.

10) NUNCA SE COMPAREM COM OS OUTROS

Você é único, veio aqui com uma missão só sua. E ela é tão importante quanto a de qualquer outra pessoa. Mesmo assim se não conseguir evitar comparações, compare com quem tem menos que você. Isso é uma ótima estratégia para perceber que tem sempre muito mais do que precisa para ser feliz.

11) VOCÊ NÃO É UMA VÍTIMA

Você é sempre o criador de suas experiências! Tudo o que lhe acontece foi atraído por você mesmo e extremamente necessário pra seu aprendizado. Quando algo que considera desagradável acontecer com você, agradeça e pergunte: “Por que será que atraí isso para minha vida?”, “O que preciso aprender com essa experiência?”.

12) TUDO MUDA

Isso também vai passar…palavras de Chico Xavier. Tudo nessa vida é dinâmico, tudo muda em um segundo. Portanto, não fique se lamentando. Caso não saiba o que fazer, não faça nada. O universo não para de mudar, crescer e se expandir, sendo assim espere, por que tudo vai passar.

13) TUDO É POSSÍVEL

Milagres acontecem todos os dia, e nós mesmos é que somos responsáveis por eles. Confie e acredite nisso. Na medida em que conseguir sua mudança de consciência, encontrará em você o poder de realizar milagres. É tempo de mudar e entender sua importância, a possibilidade que você tem de mudar o mundo. Acredite!!!!


Esse texto foi baseado na obra “13 things to remember when life gets rough“ “13 coisas para lembrar quando a vida fica difícil”.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

A FORÇA ESTÁ SEMPRE COM VOCÊ

Hoje resolvi falar sobre dois filmes que vi recentemente: Planeta dos Macacos: O Confronto e Guardiões da Galáxia. O segundo filme da franquia Planeta dos Macacos já era aguardado (veja aqui). Ambos me chamaram a atenção para o fato de como ao longo da vida todos nós sofremos perdas e como cada ser humano reage de maneira diferente sobre tal fato.
Durante muitos anos em minha vida eu acreditei que ao perdemos tudo que temos um recomeço seria praticamente impossível, porque diante de tal circunstancia a fé em nós mesmos se esvai, assim passamos a acreditar que nada mais vale a pena e procuramos apenas viver por viver, sem esperança  e sem expectativas.

O fato é que passamos a vida inteira perdendo coisas. Não que a gente não ganhe nada em troca, pelo contrário, as vezes o que vem é até melhor do que aquilo que se foi. Mas isso não diminui os buracos que não podem ser substituídos das coisas indispensáveis que já não estão mais aqui. Perdemos porque precisamos aprender. Nenhuma lição é melhor que a da perda. Lembro até hoje o dia que perdi o meu colar do poder (Era um cordão que acompanhava o relógio Yankee Street na década de 90... Que fez muito sucesso, vinha dentro de um estojo de lata. Na época eu não tinha grana pra comprar um, com muito sacrifício comprei só o colar de um amigo ostentador que não quis e me vendeu) ...  Mas isso é outra história.

 




Quando a gente cresce a gente perde a vontade de brincar. A gente perde grande parte da nossa inocência. A gente deixa de acreditar em Papai Noel e Coelhinho. Descobrimos que nossos pais podem ser mais velhos, mas nem sempre são mais fortes e perdemos a imagem de super-heróis que lhes entregamos desde que nascemos. Perdemos
nossos brinquedos, perdemos nossa felicidade simples, nosso riso fácil, nossa falta de problemas.

Mas aos poucos fui percebendo que é possível recomeçar, se e somente se, encontrarmos algo ou alguém que nos faça ver beleza onde antes só víamos cinzas. Mas principalmente se ao invés de ficarmos martelando a pergunta POR QUE?
Perguntarmos PARA QUE?
Esses dois filmes nos faz refletir sobre isso. Planeta dos Macaco é um filme apocalíptico, e eu que acompanhei a série original ficava me perguntando, como a humanidade reagiria se de repente perdêssemos tudo, como ficaríamos sem ter mais nada? E agora nesse segundo filme tantos os macacos, como os humanos, nos mostram que é possível recomeçar, reconstruir o lar e formar famílias e sonhar com uma nova sociedade.

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Planeta dos Macacos: O Confronto se inicia com uma breve recapitulação, feita com cenas de telejornais, para mostrar como o vírus da “gripe símia” dizimou a maior parte da população humana do mundo. Quando essa breve cena se encerra, se passarão entre 10 a 15 minutos de filme até que outra voz humana seja ouvida de novo. Durante todo esse tempo mergulhamos num novo mundo, aquele agora dominado pelos novos donos do seu ambiente, os macacos inteligentes governados por Cesar.
Ambientado alguns anos depois do final de Planeta dos Macacos: A Origem (2011), agora a sociedade símia já se comunica via sinais e por uma versão rudimentar da fala.

Adicionar legenda
É essencial para a série Planeta dos Macacos a ideia de que o homem é, ou será, o grande causador da sua própria destruição. Essa noção governava também o filme anterior. No entanto, O Confronto adiciona uma nova camada a esse problema: aqui o maior vilão é o macaco, enquanto os humanos agora apenas reagem, com medo e desproporção, em relação ao que veem. Koba é o grande antagonista do filme, mas não é um vilão raso, sem fundamento. Afinal, depois de tudo que viu e passou nas mãos dos humanos, quem pode culpa-lo por temê-los? O personagem se torna mais fascinante ainda por também conseguir manipular os humanos, como nas cenas em que finge ser um macaco bobo.



É um oponente à altura de Cesar, o verdadeiro astro e protagonista do filme, como, aliás, já era desde o anterior ... Como já falei aqui  sempre vi o César como uma espécie de Che Guevara dos símios, já que para muitos, ambos representam a rebeldia, a luta contra a injustiça e o espírito incorruptível. Chega a ser impressionante, mais até do que no longa anterior, como Cesar consegue se impor frente ao elenco humano e expressar emoções no seu rosto e no seu olhar.

E ao longo da narrativa, Cesar é quem passa por um arco: ao final o líder símio reconhece que naquele universo o medo e os preconceitos podem ser mais fortes que a razão. Como de praxe na franquia, em Planeta dos Macacos: O Confronto, macacos e humanos não se entendem . O filme transmite essa ideia, da dificuldade do entendimento, em meio à sua trama fantasiosa e em meio às cenas – muito legais – de macacos cavalgando e disparando metralhadoras. Ele satisfaz à criança dentro de nós e
também discute um tema adulto, cada vez mais importante no nosso mundo repleto de conflitos.

Guardiões da Galáxia segue a mesma linha, seres totalmente diferentes, cinco "Zé Ruelas" em uma galáxia distante são forçados a juntar forças para fugir da prisão. Todos perderam tudo que amavam, viviam inundados em ódio, mas diante das circunstâncias resolvem se unir contra um inimigo em comum e de repente se vêem esperançosos, e descobrindo a beleza da musica da vida.

Guardiões da Galáxia foca no encontro de um grupo de personagens que sofreram grandes perdas ou que passaram por grandes sofrimentos formado por Peter Quill, vulgo Senhor das Estrelas, Gamora, Drax, Rocket e Groot.
Ao criarem uma grande confusão no planeta Xandar, eles são presos e lá acabam conhecendo Drax, que teve sua mulher e filho mortos por Ronan. É na tentativa de fugir da prisão que o grupo acaba se unindo, mas jamais proclamando-se como Guardiões de alguma coisa… A grande verdade é que todos estão atrás é de vender o orbe, com exceção
de Drax, que deseja cegamente vingar-se do algoz de sua família. Essa é a trama básica do excelente longa.

Um aspecto que merece destaque é a trilha sonora espetacular, composta basicamente por clássicos dos anos 70 e 80 tocados no walkman do Senhor das Estrelas. Isso mesmo, a despeito de toda tecnologia vista no longa, Quill possui um walkman que guarda consigo desde a época em que foi abduzido da Terra, em 1988.


Quantos filmes bons já passaram por aqui (bom) (bom) (O 2 promete) (Ansioso pela sequencia) (bom) (deixou saudades)








segunda-feira, 16 de junho de 2014

Guest post:19 coisas que eu queria que tivessem me dito antes dos 20 anos

Zapeando a rede encontrei esse post, muito interessante.

Você pode conferi-lo na integra (aqui )

Um poema-lista para garotas trabalhadoras que procuram crescer e se encontrar.

1. Tudo bem abandonar qualquer pessoa, qualquer coisa e qualquer lugar que façam você se sentir uma merda. É difícil, mas tudo bem. E nem se dê ao trabalho de explicar nada para ninguém, a não ser que você queira. Deixe que fiquem pasmos, sem saber o que aconteceu.

2. Saiba quem você é. Não só por fora, de algum jeito emocional, sentimental, tipo “você é linda por dentro”, mas saber quem você é — racialmente, culturalmente, em relação com sua sexualidade, seu gênero e sua classe social — é uma fonte de seu poder. É você quem define isso para você mesma. Nunca deixe qualquer outra pessoa lhe dizer quem você é. Isso pode mudar com o tempo, à medida que você amadurece e aprende mais. Tudo bem. Administre qualquer vergonha ou culpa que você possa sentir, assumindo a responsabilidade por seus atos.

3. Assuma a responsabilidade pelo que você faz. Isso significa reconhecer quando você pisa na bola, tanto quanto defender e ser dona do espaço contestado que você ocupa. Você vai pisar na bola, e apenas você mesma pode procurar reparar seus erros. Você vai precisar se defender, e raramente alguém vai se encarregar disso em seu lugar. É igualmente importante reconhecer seus erros e seus direitos.

4. Vão chamá-la de louca. Você é mulher. Não há como passar pelo mundo no momento em que vivemos sem ser chamada de louca por alguém. E normalmente isso vem justamente da pessoa que você gostaria que a enxergasse como alguém que tem totalmente a cabeça no lugar. Você não é louca. O mundo é louco. Se você é afetada por este mundo injusto, desequilibrado, isso só prova que você é um ser senciente, dotado de sentimento de empatia.

5. A empatia se constrói. Você precisa aprender a ouvir de verdade. Ou seja, ouvir sem ficar pensando no que isso tem a ver com você, nem ficar planejando a próxima coisa que você vai falar. Isso significa enxergar todo o mundo, independentemente de quem for, como um ser humano. Você não será um ser humano de verdade sem enxergar todo o mundo como tal, mesmo seus maiores inimigos e os piores criminosos. Todas nossas feridas vêm de algum lugar — as suas e as de todas as outras pessoas. Aprenda a ouvir os outros. Aprenda a se ouvir. Não pode haver empatia sem primeiro ouvir de verdade, profundamente.

6. Você vai viver momentos insuportáveis de dor. Aprender a curar suas feridas leva tempo. E, às vezes, ficam cicatrizes. Muitas vezes, a cura é incompleta. Pense em suas cicatrizes como sendo de feridas sofridas na batalha, provas de o quanto você agora é mais sábia, mapas dos lugares para onde você não quer mais voltar. Valorize essas cicatrizes, respeite-as. Haverá momentos em que elas serão a única coisa que a lembrará de onde você já esteve e do quanto ainda falta para você crescer.

7. Você terá momentos insuportáveis de solidão. Você precisa aprender a adorar estar consigo mesma, porque em última análise ninguém tem o potencial de amá-la como você pode se amar. É lindo amar e ser amada, mas esses são apenas indícios de como você deve se enxergar. Se você se enxergar como alguém de valor e aprender a converter o sentimento de solidão em um estar sozinha tranquilo, que acalma, será capaz de dar e receber amor realmente transformador.

8. Encontre alguma coisa que a faça sentir que o mundo faz sentido, mesmo que não consiga justificar essa coisa intelectualmente a você mesma ou a qualquer outra pessoa. No meu caso, se eu não me levanto da cama, não transo, não saio para dançar, não leio um bom livro, não escrevo um poema, não ouço um disco que acho o máximo ou não tenho uma conversa realmente profunda e satisfatória pelo menos uma vez por semana, o mundo não faz sentido para mim e eu me sinto solta, sem raízes. Se passo um mês sem essas coisas, viro uma catástrofe total, inconsolável, incompreensível. Essa catástrofe pode facilmente se converter em bola de neve e levar a vários tipos de autodestruição. Encontre o que funciona bem para você e seja leal a essas coisas, para ser leal a você mesma.

9. O mundo que você habita está doente. Essa doença penetra em todos nós, e em muitas pessoas se manifesta como uma incapacidade de amar a si mesma, o que dirá a outras. Algumas das pessoas que sofrem uma forma parasítica dessa doença vão grudar em você, fazendo você de hospedeira. Você pode achar que faz parte de sua natureza ser “doadora” e dar apoio interminavelmente. Essas pessoas vão consumir seu amor por inteiro, vão consumir você junto e deixá-la como uma casca oca. Você pode voltar a crescer a partir dessa casca, mas será sofrido, e é preciso tempo e experiência de traição e coração partido para aprender a confiar suficientemente em você mesma para determinar quem é ou não digno de sua confiança. Não deixe que ninguém a controle. Apenas ande com aqueles que quiserem caminhar com você, lado a lado, como iguais.

10. Não transe com pessoas que não priorizarem o seu prazer. Isso pode parecer muitas coisas diferentes, e você provavelmente ainda está aprendendo o que é seu prazer. Não tolere amantes que não lhe derem espaço para explorar, para expressar, e, sobretudo, se ele quiser apenas te usar como recipiente para ele chegar ao seu próprio prazer. Caia fora. Isso não quer dizer que você deve ignorar o prazer de seu parceiro, mas que deve enxergar o seu prazer como tendo valor igual.

11. Você não é responsável pelas ações daqueles que odeiam tanto a si mesmos que feriram você de propósito.

12. O coletivismo é um conceito belo e é algo pelo qual vale a pena lutar e construir. O coletivismo mudou radicalmente e desafiou estruturas e instituições injustas. Mas, se você sacrificar sua própria sobrevivência pelo bem do todo, vai acabar se arrependendo, questionando o sentido de sua vida e duvidando do valor de outros, em vista do egoísmo aberto deles. Encontre um meio-termo.

13. Não carregue nas costas pessoas fracas que não passaram por um processo de reconstrução de si.

14. Você não é seu emprego. Seu emprego é um salário, só isso, e é provável que você não receba quanto vale, e isso não é sua culpa: você herdou um sistema econômico falido e não será a primeira geração a lutar pelo direito de viver. Mas você precisa lutar pelo direito de viver em solidariedade com as pessoas à sua volta que também estão lutando.

15. Fazer faculdade é uma conquista. Mas não é algo que faça de você uma pessoa melhor que qualquer outra. Não torna você essencialmente mais inteligente. Você nunca vai conseguir “sair” realmente de onde veio e nunca vai conseguir “ingressar” realmente onde aspira.

16. Se você não conseguir traduzir de volta para o lugar de onde veio qualquer coisa que tenha aprendido com o acesso que teve, então você não terá conquistado nada — só terá mudado. A assimilação é uma escolha. Procure ser tradutora. Procure compartilhar seu acesso com as pessoas que talvez você tenha deixado para trás. Procure revolucionar as estruturas que nos ensinam que aqueles que conquistam mais acesso valem mais do que valiam quando partiram e menos do que as pessoas em cujo meio agora estão.

17. Nunca leve a validação muito a sério. Isso se aplica especialmente àquelas que crescem na era das mídias sociais. O olhar da hegemonia está sempre focado sobre nós. Encontre validação na razão entre o impacto positivo que você tem sobre você mesma e outros e na maneira como como você magoa e prejudica outros. Você vai magoar outras pessoas. Assuma a responsabilidade por isso, quando for o caso, e sempre fique atenta à frequência com que isso acontece em relação às pessoas que você ajuda a fazer amadurecer. Nenhuma de nós pode ser santa, mas podemos ser relevantes e sencientes.

18. Leve sua luta para sua comunidade, e encontre uma comunidade em cujas lutas você possa intervir. É apenas em comunidade que vamos encontrar sentido neste mundo destruído e sua ideologia corrupta, que herdamos. Lute. Lute. Lute.

19. Você é inerentemente valiosa. Você tem valor. Não peça autorização a ninguém para isso.


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Guest post: MATRIX E O CAPITALISMO

Recentemente encontrei um vídeo muito legal sobre o filme Matrix, tanto o vídeo como o texto foram escritos por RINALDO MARTINS DE OLIVEIRA.

Me emocionou a imagem da freira Dorothy Stang 

VAMOS AO VÍDEO:



E AO TEXTO:

No meu ponto de vista, o primeiro filme “Matrix” é um rico apanhado de críticas e denúncias sutis à vida ilusória e escrava que todos nós levamos neste mundo dominado pelo capitalismo, ou mais precisamente, pela cultura capitalística. Lembrarei algumas passagens do mesmo, dando-me o direito de imprimir, aqui e ali, o meu juízo de valor, para que, quem assim desejar, possa buscar uma reflexão na analogia.

No filme, exceto alguns homens e mulheres rebelados e livres, todos os demais vivem em cativeiro, desde o nascimento até a morte, dentro de uma redoma individual, em sono permanente, encobertos de líquido gelatinoso e fios condutores ligados em todo o corpo sugando suas energias. Há um cabo central, acoplado à nuca de cada um, transmitindo informações sensitivas diretamente ao cérebro, a partir de um programa central - a chamada Matrix - dando a falsa impressão de que se vive uma vida normal, quando, na verdade, tudo não passa de uma simulação virtual.

Este é o mundo dominado pelas máquinas que, há duzentos anos, alcançando inteligência própria, disputaram o poder com a raça humana e venceram, desde então “cultivando” os homens para lhes servirem como pilhas abastecedoras, até o esgotamento e descarte.

A história gira em torno do personagem chamado Neo que é um comportado funcionário de empresa mas que, nas horas livres, é hacker viajando ilegalmente pelo mundo da virtualidade.

Neo sente algo muito estranho em sua vida e ao seu redor, como se tudo não passasse de um sonho. Na realidade, tal como quase todos os demais seres humanos, ele também está preso e escravizado mental e corporalmente pelas máquinas. Mas ao contrário de todos, tem a intuição acima que lhe traz desconforto e conflito interno contínuo.

Por conta disso, uma pessoa chamada Morpheus - outro importante personagem do filme - aparece em sua vida de forma inusitada propondo-lhe dar respostas às suas dúvidas e incertezas. Morpheus é um dos poucos homens que se libertaram da Matrix. Respeitado líder de um grupo de insurgentes que vêm procurando, há anos, o Escolhido, que conforme a profecia do “Oráculo” (um ser místico, disfarçado de dona de casa, escondido dentro do programa Matrix) viria para salvar o mundo. Morpheus acredita profundamente que Neo é esse Escolhido.

O primeiro contato pessoal entre Neo e Morpheus se dá com o acesso deste último ao mundo virtual através de um programa paralelo desenvolvido em sua nave (chamada “Nabucodonossor”). Na conversa, Morpheus mostra a Neo a realidade do mundo em que os seres humanos vivem (ou melhor, “vegetam”), escondida por trás da fachada criada pelo programa virtual: um lugar deserto, frio, em ruínas, encoberto de espessas nuvens cinzentas eletromagnéticas, vigiado por máquinas voadoras (os “sentinelas”). Isto é o que sobrou da Terra, destruída há dois séculos.

É duro para Neo aceitar ou acreditar, apesar de todas as evidências explícitas, nesta realidade e no fato de que a sua existência tem sido uma mera mentira, uma simulação, uma história fabricada. Ele tenta fugir, mas já é tarde: terá que necessariamente fazer a escolha por ingerir a pílula vermelha ou a pílula azul.

A pílula vermelha era aquela que lhe provocaria uma convulsão no seu corpo verdadeiro, capaz de fazê-lo acordar do sono inserindo-o, pela primeira vez, no mundo real, no mundo da consciência. A pílula azul faria-o esquecer de tudo o que ele até ali passou e descobriu, levando-o de volta à sua vida virtual de funcionário de empresa e comportado cidadão. Ambas as opções seriam uma decisão sem retorno.

Neo escolheu a pílula vermelha. Após ingeri-la, acaba por acordar confirmando estar dentro da redoma gelatinosa. Logo, uma máquina supervisora detecta a irregularidade, a “anomalia” e Neo, considerado como uma espécie de fruta apodrecida, é jogado ao esgoto, sendo após resgatado pelos companheiros insurgentes.

Desde então, começa a sua lenta adaptação física à vida real. “Por que meus olhos doem?”, pergunta a Morpheus, que o responde: “porque você nunca os utilizou”. A seguir começa o seu criterioso preparo mental para o retorno ao mundo virtual e o combate, sobretudo, contra os chamados “agentes”: homens de preto, frios, calculistas, muito ágeis e fortes, na verdade o anti-vírus criados pelas máquinas para proteger o seu programa Matrix.

Esta preparação de Neo consiste em desenvolver a sua capacidade de abstração da realidade, ou seja, compreender que a realidade visível, ou melhor, sensitiva, no mundo virtual não passa de uma mera aparência forjada pelo programa e que, por isso, pode ser controlada e manipulada, enfim, dominada por quem conseguir desmistificá-la por completo.

O desafio se faz muito difícil para Neo, pois não lhe basta o aprendizado de inúmeras técnicas de defesa e ataque (inseridas virtualmente na sua mente mediante outro programa desenvolvido pelos insurgentes) contra os agentes. É preciso, sobretudo, a concentração e o esvaziamento total de todos os valores enraizados no seu interior durante o seu cativeiro, para que a mente esteja absolutamente livre e capaz de ser ativada da forma correta e profunda.

Neo questiona se lhe será possível alcançar tamanha agilidade dentro do Matrix para, por exemplo, desviar, como fazem os agentes, das balas de metralhadora. Morpheus responde que a sua missão é levá-lo apenas até a porta. Terá que ser ele (Neo) sozinho, enquanto o Escolhido, a seguir adiante. Deverá alcançar um patamar de controle do programa que já não seja mais necessário sequer se movimentar para evitar ser alvejado.

É o que acaba por acontecer no final do filme quando os agentes atiram em Neo e ele pára as balas com uma das mãos e entra no corpo de um dos vilãos, explodindo-o. Os outros dois, vendo isto, fogem. Mas antes, em cena anterior, Neo é morto em confronto armado com os mesmos, o que resultaria também na sua morte real (já que a mente aniquilada no mundo virtual provocava concomitantemente a morte do corpo real). Mas, para a surpresa dos agentes e da tripulação insurgente que acompanhava a disputa pela tela dos computadores da nave, Neo ressuscita no mundo real e, por conseqüência, no mundo virtual: um fato inédito e que comprova ser ele realmente o Escolhido.

Já passada a primeira vitória, uma provocação direta às máquinas é então feita pelo Escolhido, através de telefone, no mundo virtual (o telefone é o veículo de transposição dos rebeldes entre o mundo real - a nave e o mundo virtual – o programa Matrix): que, pela primeira vez, elas também estão a sentir o medo da morte ou de voltar a serem dominadas pelos homens, seus originários criadores. Tudo porque uma ameaça real, um vírus forte e poderoso - ele mesmo: Neo - entrou no seu programa Matrix o que poderá, através disso, inclusive - e aqui a provocação se faz uma ameaça - infectar e danificar todos os demais programas em rede que lhes dão vida e autonomia.

As máquinas se preparam para a guerra. Segue a triologia.

Texto escrito por RINALDO MARTINS DE OLIVEIRA

Em 2 de março de 2008.