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terça-feira, 12 de agosto de 2014

A FORÇA ESTÁ SEMPRE COM VOCÊ

Hoje resolvi falar sobre dois filmes que vi recentemente: Planeta dos Macacos: O Confronto e Guardiões da Galáxia. O segundo filme da franquia Planeta dos Macacos já era aguardado (veja aqui). Ambos me chamaram a atenção para o fato de como ao longo da vida todos nós sofremos perdas e como cada ser humano reage de maneira diferente sobre tal fato.
Durante muitos anos em minha vida eu acreditei que ao perdemos tudo que temos um recomeço seria praticamente impossível, porque diante de tal circunstancia a fé em nós mesmos se esvai, assim passamos a acreditar que nada mais vale a pena e procuramos apenas viver por viver, sem esperança  e sem expectativas.

O fato é que passamos a vida inteira perdendo coisas. Não que a gente não ganhe nada em troca, pelo contrário, as vezes o que vem é até melhor do que aquilo que se foi. Mas isso não diminui os buracos que não podem ser substituídos das coisas indispensáveis que já não estão mais aqui. Perdemos porque precisamos aprender. Nenhuma lição é melhor que a da perda. Lembro até hoje o dia que perdi o meu colar do poder (Era um cordão que acompanhava o relógio Yankee Street na década de 90... Que fez muito sucesso, vinha dentro de um estojo de lata. Na época eu não tinha grana pra comprar um, com muito sacrifício comprei só o colar de um amigo ostentador que não quis e me vendeu) ...  Mas isso é outra história.

 




Quando a gente cresce a gente perde a vontade de brincar. A gente perde grande parte da nossa inocência. A gente deixa de acreditar em Papai Noel e Coelhinho. Descobrimos que nossos pais podem ser mais velhos, mas nem sempre são mais fortes e perdemos a imagem de super-heróis que lhes entregamos desde que nascemos. Perdemos
nossos brinquedos, perdemos nossa felicidade simples, nosso riso fácil, nossa falta de problemas.

Mas aos poucos fui percebendo que é possível recomeçar, se e somente se, encontrarmos algo ou alguém que nos faça ver beleza onde antes só víamos cinzas. Mas principalmente se ao invés de ficarmos martelando a pergunta POR QUE?
Perguntarmos PARA QUE?
Esses dois filmes nos faz refletir sobre isso. Planeta dos Macaco é um filme apocalíptico, e eu que acompanhei a série original ficava me perguntando, como a humanidade reagiria se de repente perdêssemos tudo, como ficaríamos sem ter mais nada? E agora nesse segundo filme tantos os macacos, como os humanos, nos mostram que é possível recomeçar, reconstruir o lar e formar famílias e sonhar com uma nova sociedade.

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Planeta dos Macacos: O Confronto se inicia com uma breve recapitulação, feita com cenas de telejornais, para mostrar como o vírus da “gripe símia” dizimou a maior parte da população humana do mundo. Quando essa breve cena se encerra, se passarão entre 10 a 15 minutos de filme até que outra voz humana seja ouvida de novo. Durante todo esse tempo mergulhamos num novo mundo, aquele agora dominado pelos novos donos do seu ambiente, os macacos inteligentes governados por Cesar.
Ambientado alguns anos depois do final de Planeta dos Macacos: A Origem (2011), agora a sociedade símia já se comunica via sinais e por uma versão rudimentar da fala.

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É essencial para a série Planeta dos Macacos a ideia de que o homem é, ou será, o grande causador da sua própria destruição. Essa noção governava também o filme anterior. No entanto, O Confronto adiciona uma nova camada a esse problema: aqui o maior vilão é o macaco, enquanto os humanos agora apenas reagem, com medo e desproporção, em relação ao que veem. Koba é o grande antagonista do filme, mas não é um vilão raso, sem fundamento. Afinal, depois de tudo que viu e passou nas mãos dos humanos, quem pode culpa-lo por temê-los? O personagem se torna mais fascinante ainda por também conseguir manipular os humanos, como nas cenas em que finge ser um macaco bobo.



É um oponente à altura de Cesar, o verdadeiro astro e protagonista do filme, como, aliás, já era desde o anterior ... Como já falei aqui  sempre vi o César como uma espécie de Che Guevara dos símios, já que para muitos, ambos representam a rebeldia, a luta contra a injustiça e o espírito incorruptível. Chega a ser impressionante, mais até do que no longa anterior, como Cesar consegue se impor frente ao elenco humano e expressar emoções no seu rosto e no seu olhar.

E ao longo da narrativa, Cesar é quem passa por um arco: ao final o líder símio reconhece que naquele universo o medo e os preconceitos podem ser mais fortes que a razão. Como de praxe na franquia, em Planeta dos Macacos: O Confronto, macacos e humanos não se entendem . O filme transmite essa ideia, da dificuldade do entendimento, em meio à sua trama fantasiosa e em meio às cenas – muito legais – de macacos cavalgando e disparando metralhadoras. Ele satisfaz à criança dentro de nós e
também discute um tema adulto, cada vez mais importante no nosso mundo repleto de conflitos.

Guardiões da Galáxia segue a mesma linha, seres totalmente diferentes, cinco "Zé Ruelas" em uma galáxia distante são forçados a juntar forças para fugir da prisão. Todos perderam tudo que amavam, viviam inundados em ódio, mas diante das circunstâncias resolvem se unir contra um inimigo em comum e de repente se vêem esperançosos, e descobrindo a beleza da musica da vida.

Guardiões da Galáxia foca no encontro de um grupo de personagens que sofreram grandes perdas ou que passaram por grandes sofrimentos formado por Peter Quill, vulgo Senhor das Estrelas, Gamora, Drax, Rocket e Groot.
Ao criarem uma grande confusão no planeta Xandar, eles são presos e lá acabam conhecendo Drax, que teve sua mulher e filho mortos por Ronan. É na tentativa de fugir da prisão que o grupo acaba se unindo, mas jamais proclamando-se como Guardiões de alguma coisa… A grande verdade é que todos estão atrás é de vender o orbe, com exceção
de Drax, que deseja cegamente vingar-se do algoz de sua família. Essa é a trama básica do excelente longa.

Um aspecto que merece destaque é a trilha sonora espetacular, composta basicamente por clássicos dos anos 70 e 80 tocados no walkman do Senhor das Estrelas. Isso mesmo, a despeito de toda tecnologia vista no longa, Quill possui um walkman que guarda consigo desde a época em que foi abduzido da Terra, em 1988.


Quantos filmes bons já passaram por aqui (bom) (bom) (O 2 promete) (Ansioso pela sequencia) (bom) (deixou saudades)








sexta-feira, 23 de maio de 2014

Guest post: MATRIX E O CAPITALISMO

Recentemente encontrei um vídeo muito legal sobre o filme Matrix, tanto o vídeo como o texto foram escritos por RINALDO MARTINS DE OLIVEIRA.

Me emocionou a imagem da freira Dorothy Stang 

VAMOS AO VÍDEO:



E AO TEXTO:

No meu ponto de vista, o primeiro filme “Matrix” é um rico apanhado de críticas e denúncias sutis à vida ilusória e escrava que todos nós levamos neste mundo dominado pelo capitalismo, ou mais precisamente, pela cultura capitalística. Lembrarei algumas passagens do mesmo, dando-me o direito de imprimir, aqui e ali, o meu juízo de valor, para que, quem assim desejar, possa buscar uma reflexão na analogia.

No filme, exceto alguns homens e mulheres rebelados e livres, todos os demais vivem em cativeiro, desde o nascimento até a morte, dentro de uma redoma individual, em sono permanente, encobertos de líquido gelatinoso e fios condutores ligados em todo o corpo sugando suas energias. Há um cabo central, acoplado à nuca de cada um, transmitindo informações sensitivas diretamente ao cérebro, a partir de um programa central - a chamada Matrix - dando a falsa impressão de que se vive uma vida normal, quando, na verdade, tudo não passa de uma simulação virtual.

Este é o mundo dominado pelas máquinas que, há duzentos anos, alcançando inteligência própria, disputaram o poder com a raça humana e venceram, desde então “cultivando” os homens para lhes servirem como pilhas abastecedoras, até o esgotamento e descarte.

A história gira em torno do personagem chamado Neo que é um comportado funcionário de empresa mas que, nas horas livres, é hacker viajando ilegalmente pelo mundo da virtualidade.

Neo sente algo muito estranho em sua vida e ao seu redor, como se tudo não passasse de um sonho. Na realidade, tal como quase todos os demais seres humanos, ele também está preso e escravizado mental e corporalmente pelas máquinas. Mas ao contrário de todos, tem a intuição acima que lhe traz desconforto e conflito interno contínuo.

Por conta disso, uma pessoa chamada Morpheus - outro importante personagem do filme - aparece em sua vida de forma inusitada propondo-lhe dar respostas às suas dúvidas e incertezas. Morpheus é um dos poucos homens que se libertaram da Matrix. Respeitado líder de um grupo de insurgentes que vêm procurando, há anos, o Escolhido, que conforme a profecia do “Oráculo” (um ser místico, disfarçado de dona de casa, escondido dentro do programa Matrix) viria para salvar o mundo. Morpheus acredita profundamente que Neo é esse Escolhido.

O primeiro contato pessoal entre Neo e Morpheus se dá com o acesso deste último ao mundo virtual através de um programa paralelo desenvolvido em sua nave (chamada “Nabucodonossor”). Na conversa, Morpheus mostra a Neo a realidade do mundo em que os seres humanos vivem (ou melhor, “vegetam”), escondida por trás da fachada criada pelo programa virtual: um lugar deserto, frio, em ruínas, encoberto de espessas nuvens cinzentas eletromagnéticas, vigiado por máquinas voadoras (os “sentinelas”). Isto é o que sobrou da Terra, destruída há dois séculos.

É duro para Neo aceitar ou acreditar, apesar de todas as evidências explícitas, nesta realidade e no fato de que a sua existência tem sido uma mera mentira, uma simulação, uma história fabricada. Ele tenta fugir, mas já é tarde: terá que necessariamente fazer a escolha por ingerir a pílula vermelha ou a pílula azul.

A pílula vermelha era aquela que lhe provocaria uma convulsão no seu corpo verdadeiro, capaz de fazê-lo acordar do sono inserindo-o, pela primeira vez, no mundo real, no mundo da consciência. A pílula azul faria-o esquecer de tudo o que ele até ali passou e descobriu, levando-o de volta à sua vida virtual de funcionário de empresa e comportado cidadão. Ambas as opções seriam uma decisão sem retorno.

Neo escolheu a pílula vermelha. Após ingeri-la, acaba por acordar confirmando estar dentro da redoma gelatinosa. Logo, uma máquina supervisora detecta a irregularidade, a “anomalia” e Neo, considerado como uma espécie de fruta apodrecida, é jogado ao esgoto, sendo após resgatado pelos companheiros insurgentes.

Desde então, começa a sua lenta adaptação física à vida real. “Por que meus olhos doem?”, pergunta a Morpheus, que o responde: “porque você nunca os utilizou”. A seguir começa o seu criterioso preparo mental para o retorno ao mundo virtual e o combate, sobretudo, contra os chamados “agentes”: homens de preto, frios, calculistas, muito ágeis e fortes, na verdade o anti-vírus criados pelas máquinas para proteger o seu programa Matrix.

Esta preparação de Neo consiste em desenvolver a sua capacidade de abstração da realidade, ou seja, compreender que a realidade visível, ou melhor, sensitiva, no mundo virtual não passa de uma mera aparência forjada pelo programa e que, por isso, pode ser controlada e manipulada, enfim, dominada por quem conseguir desmistificá-la por completo.

O desafio se faz muito difícil para Neo, pois não lhe basta o aprendizado de inúmeras técnicas de defesa e ataque (inseridas virtualmente na sua mente mediante outro programa desenvolvido pelos insurgentes) contra os agentes. É preciso, sobretudo, a concentração e o esvaziamento total de todos os valores enraizados no seu interior durante o seu cativeiro, para que a mente esteja absolutamente livre e capaz de ser ativada da forma correta e profunda.

Neo questiona se lhe será possível alcançar tamanha agilidade dentro do Matrix para, por exemplo, desviar, como fazem os agentes, das balas de metralhadora. Morpheus responde que a sua missão é levá-lo apenas até a porta. Terá que ser ele (Neo) sozinho, enquanto o Escolhido, a seguir adiante. Deverá alcançar um patamar de controle do programa que já não seja mais necessário sequer se movimentar para evitar ser alvejado.

É o que acaba por acontecer no final do filme quando os agentes atiram em Neo e ele pára as balas com uma das mãos e entra no corpo de um dos vilãos, explodindo-o. Os outros dois, vendo isto, fogem. Mas antes, em cena anterior, Neo é morto em confronto armado com os mesmos, o que resultaria também na sua morte real (já que a mente aniquilada no mundo virtual provocava concomitantemente a morte do corpo real). Mas, para a surpresa dos agentes e da tripulação insurgente que acompanhava a disputa pela tela dos computadores da nave, Neo ressuscita no mundo real e, por conseqüência, no mundo virtual: um fato inédito e que comprova ser ele realmente o Escolhido.

Já passada a primeira vitória, uma provocação direta às máquinas é então feita pelo Escolhido, através de telefone, no mundo virtual (o telefone é o veículo de transposição dos rebeldes entre o mundo real - a nave e o mundo virtual – o programa Matrix): que, pela primeira vez, elas também estão a sentir o medo da morte ou de voltar a serem dominadas pelos homens, seus originários criadores. Tudo porque uma ameaça real, um vírus forte e poderoso - ele mesmo: Neo - entrou no seu programa Matrix o que poderá, através disso, inclusive - e aqui a provocação se faz uma ameaça - infectar e danificar todos os demais programas em rede que lhes dão vida e autonomia.

As máquinas se preparam para a guerra. Segue a triologia.

Texto escrito por RINALDO MARTINS DE OLIVEIRA

Em 2 de março de 2008.